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quinta-feira, 22 de março de 2012

Movimento Cidadãos por Paredes denunciou ilegalidade no estacionamento público

Movimento Cidadãos por Paredes denunciou ilegalidade no estacionamento público


“Isto é um roubo, uma canalhice”

Na passada segunda-feira, o Movimento Cidadãos Por Paredes (MCP) chamou os jornalistas para uma conferência de imprensa em plena Rua Dr. José Barbosa Leão, na cidade de Paredes. O mote para o encontro com a imprensa foi o parqueamento na cidade.

José Henriques Soares, líder do MCP, começou por justificar a intervenção do movimento com o facto de não existir "quem zele pelos interesses dos cidadãos de Paredes". Soares afirmou que, desde que foi assinado o contrato de concessão do estacionamento na cidade de Paredes, apenas aumentou o tarifário praticado o número de parquímetros instalados. "Quando os parquímetros eram explorados directamente pela Câmara o tarifário era de 30 cêntimos por hora, agora é de 65 cêntimos por hora", afirmou Soares, que não tem dúvidas que este aumento se deve a "um favor que a Câmara fez a uma empresa privada para que esta possa mais que duplicar o preço". O ex-chefe de Gabinete de Celso Ferreira e ex-adversário no PSD acusou a Câmara de encerrar o Largo da Feira ao estacionamento para obrigar os cidadãos a utilizarem o estacionamento pago. Segundo Soares, isto foi "uma exigência da empresa privada que a Câmara aceitou", porque "a ideia que transparece é que sempre que a empresa privada quer um aumento de tarifário, a Câmara faz. Sempre que lhe pede para meter mais máquinas a Câmara faz".

MCP poderá avançar com queixa-crime

Para o dirigente do MCP, o aumento é muito superior ao anunciado. Na verdade, segundo José Henriques Soares, os parquímetros cobram como valor mínimo 20 cêntimos por 15 minutos, o que faz um total de 80 cêntimos por hora. "Eu matematicamente não percebo isto. Porque é que a Câmara deixa que isto seja feito aos cidadãos de Paredes?", questionou. Por isso, o MCP "vai ponderar dar conta disto ao Ministério Público, porque isto é um roubo, uma canalhice que está a ser feita aos cidadãos de Paredes, com a bênção da Câmara".

"Se calhar nunca houve intenção em construir um parque de estacionamento"

Outro dirigente do MCP, Sandro Rocha, defendeu que a concessão do estacionamento "é mm negócio totalmente ruinoso para o concelho de Paredes". Para este jurista, "o executivo tem a obrigação de explicar porque é que assinou um contrato que é prejudicial para o munícipe".

Sandro Rocha acredita que, como anda não foi construído o parque de estacionamento, há um incumprimento do contrato de concessão. Por isso, diz Rocha "parece-me que a Câmara tem aqui fundamento para proceder à resolução do contrato". Sandro Rocha vai mais longe e afirma que a empresa privada "se calhar, nunca teve intenção alguma em construir qualquer parque de estacionamento".



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PAREDES
Comissão instaladora foi apresentada na segunda-feira.

Movimento de Cidadãos vai lutar contra “taxas ilegais” de água e saneamento

Nasceu em Paredes um movimento de cidadãos para cidadãos que diz pretender esclarecer a população e ajudá-la a lutar pelos seus interesses. O Movimento de Cidadãos por Paredes (MCP), que em breve se constituirá como associação, já tem uma comissão instaladora que foi apresentada na passada segunda-feira e travará a primeira luta em torno do negócio da água no concelho, adiantou José Henriques Soares, ex-presidente do Núcleo Paredes Cidade do PSD e um dos mentores deste Movimento. "Os cidadãos de Paredes têm sido maltratados pela Veolia, para não dizer por outra entidade.
 Não é justo que sejamos um dos únicos concelhos que continua a cobrar as taxas de ramais de água e saneamento. Queremos pôr um ponto final nisso", explicou o ex-chefe de gabinete do presidente da Câmara de Paredes.
Nesse sentido, o primeiro passo será o estabelecimento de uma parceria com a ACOP – Associação de Consumidores de Portugal para depois fazer entrar no Tribunal Administrativo de Penafiel uma providência cautelar para obrigar a empresa concessionária das águas de Paredes a retirar dos seus regulamentos "estas taxas ilegais" e devolver o dinheiro a quem estas foram cobradas.



Objectivo é lutar pelos interesses da população

Cerca de sete dezenas de cidadãos assistiram, na segunda-feira, à apresentação da comissão instaladora do MCP. Seguir-se-á a constituição dos estatutos da Associação para depois, num prazo máximo de um ano, se eleger uma direcção. Foi Sandro Rocha, um dos membros da comissão, quem adiantou a primeira luta a ser travada – a água, falando do "secretismo" das negociações com a Veolia, da constituição de um contrato que prevê a cobertura de todo o concelho quando existem freguesias com os seus próprios sub-sistemas, dos quais não querem abdicar.
E será este o objectivo do MCP: ajudar as pessoas a enfrentar este tipo de monopólios. No que toca à água, realçou José Henriques Soares na sua intervenção, já se fala na possibilidade de privatização, algo que os cidadãos devem impedir a todo o custo. "Já basta as lutas que temos que travar contra esta forma camuflada de privatização a que muitas autarquias deram cobertura - as concessões a longo prazo -, que usam os mais perversos métodos de ameaça para impor a sua lei", sustentou. Enfatizando que cabe aos cidadãos mobilizarem-se para defender os seus direitos, o actual funcionário da Câmara de Paços de Ferreira realçou que as taxas de ramais de água e saneamento são ilegais e continuam a ser cobradas pela Veolia "com a bênção" da Câmara de Paredes.
Na sessão marcou presença Paulo Morais que falou da situação económica e política actual, acentuando que a pior crise é a da democracia. O ex-vice-presidente da Câmara do Porto falou da promiscuidade existente entre as estruturas políticas e empresariais e da corrupção, que torna hoje a política numa "megacentral de negócios", realçando a importância de se criar movimentos de cidadãos para lutar contra tudo isto.

Movimento pode dar origem a candidatura à Câmara

Para os mentores deste Movimento, a Câmara devia actuar como uma "almofada" para os cidadãos, sobretudo nesta altura de crise. E devia ter cumprido a obrigação de, "suspender esta taxa ilegal da Veolia. "A Câmara tem esse poder mas não o fez, não se importa com os seus cidadãos", critica José Henriques Soares, adiantando que o Movimento poderá entrar, muitas vezes, ao confronto com a Câmara, na defesa dos interesses da população.
Questionado sobre se o MCP pode vir a adquirir um carácter político, o militante do PSD, deixou claro que a Associação constituída seguirá o seu próprio caminho. "Mas isso não quer dizer que não existam aqui pessoas que sintam que valha a pena apostar noutro caminho, muito mais político, e, eventualmente, numa candidatura à Câmara. Isso não está excluído", garantiu. "Estamos cansados, e eu pessoalmente, do show-off que a Câmara tem feito", concluiu.